Lei x R$

Tem gente no Morumbi que não respeita a lei Cidade Limpa, é só dar uma passada pela Giovanni Gronchi para perceber que construtoras e lojas continuam comportando-se como antes.

Já foram feitas diversas denúncias, mas, até agora sem resultados. Há quem diga que está rolando uma grana para que não se fiscalize e seja aplicada as multas adequadas.

Abre o olho prefeito.

Cidade Virtual

Cidade Paraíso

Promessa

Durante visita à festa de aniversário de Paraisópolis, o prefeito Gilberto Kassab prometeu trazer uma AMA para a comunidade. É esperar para ver, ano que vem tem eleição…

Na oportunidade ele estava acompanhado do Subprefeito do Campo Limpo Cássio Loschiavo, o vereador Dr. Mario Dias (DEM) e do vereador José Rolim (PSDB)

A imaginação é mais importante que o conhecimento.

— Einstein

Deu m…. capitão

Subprefeito do Butantã Maurício Pinterich disse em entrevista ao SPTV (12/12) que planejamento de ação no Real Parque foi feito efetivamente 1 (um) dia antes de ser executada. Vimos qual foi o resultado deste tipo de planejamento.

E tudo isso por conta de interesses econômicos.

E outra coisa: é engraçado ver nos jornais e na TV o destaque dado ao congestionamento, ao invés de tentarem mostrar um pouco de neutralidade mostrando as razões do porque da ação policial e a força desproporcional aplicada.

Tiro saiu pela culatra

O vereador tucano Ricardo Teixeira resolver retirar da pauta de votações seu projeto que propunha ampliar o rodízio na cidade de São Paulo, fazendo com que metade dos veículos não circulasse em faixa de horários alternados; esse projeto foi aprovado em primeira votação na mesma sessão que aprovou projeto extinguindo o rodízio.

Agora o vereador diz que vai realizar audiências públicas buscando aperfeiçoar a proposta e reapresentar o projeto em fevereiro do ano que vem.

[DIMENSTEIN] E se tivessem abortado Lula?

A mãe de Lula era analfabeta, pobre e tinha vários filhos; o pai era omisso e violento. Isso significa que aquela criança corria um risco de se tornar um marginal violento. Aparentemente, a bem-sucedida trajetória do presidente desmontaria a idéia de que existe uma relação entre violência e planejamento familiar, exposta pelo governador Sérgio Cabral que, entre as várias medidas para aumentar a segurança, defendeu o aborto. E se tivessem abortado Lula, sob argumento de que pobre não deveria ter muito filho?

Lula é um magnífico caso a justificar a associação entre planejamento familiar e violência. A julgar por várias de suas entrevistas, a mãe teve em sua vida um papel decisivo para que ele estudasse. Aí está a questão essencial: Lula sentia-se acolhido, desejado e apoiado, recompensado a ausência paterna.

O problema é quando a mãe tem uma gravidez indesejada e vê um filho como estorvo, o que se traduz em omissão e agressões. Some-se a essa violência doméstica o ambiente hostil fora de casa, com uma cadeia de rejeições, para se entender a “fábrica de marginais”. Note-se que o período em que Lula era adolescente ainda havia abundância de emprego.

Se tivessem abortado Lula, perderíamos um personagem associado, gostem ou não dele, ao avanço da democracia no país. Mas se ele não contasse com uma mãe acolhedora, a chance de estudar (notem a importância com que ele fala de seu curso no Senai) e ter um emprego, provavelmente aquela inteligência seria usada para a violência.

Resumindo: ajudar as mães a não terem filhos indesejáveis é um ingrediente, entre vários como a chance de estudo e emprego, para a segurança social.

*

Coloquei em meu site ( www.dimenstein.com.br) histórias de jovens pobres que, vindo de escolas públicas, estão demonstrando excepcional desempenho. Por trás deles, há sempre apoio da família junto com o de um professor.

retirado site da folha online datado de 28/10/2007

Tropa de Elite: o sadismo a serviço da sociedade

SÉRGIO RUBENS DE ARAÚJO TORRES

Segundo comemorou a “Veja”, em reportagem de 15 páginas, na edição 2.030, o maior mérito de “Tropa de Elite” é que ao lado de “Cidade de Deus” o filme se constitui numa exceção dentro da cinematografia brasileira, porque não aborda a realidade pela “ótica do bandido”.

Daí deriva, inclusive, ainda segundo a revista, o seu êxito de público, pois o espectador não quer saber como, nem por que, os monstros são criados. O que lhe interessa é ver que serão castigados e exterminados, para que ele possa, enfim, usufruir o merecido sono tranqüilo.

Moral da história: quem quiser fazer sucesso filmando no Brasil deve renunciar à crítica e especializar-se em copiar os filmes americanos do gênero, onde os “justiceiros” não vêem outra alternativa para defender a sociedade que não a de passar por cima das leis e barbarizar os criminosos, o que acabam fazendo, via de regra, com requintes de sadismo.

O problema desse enfoque é que, além de ser tipicamente fascista, vende uma ilusão ao espectador menos atento: a de que os monstros deixarão de assombrá-lo se forem tratados com um teor de crueldade e covardia igual ou maior ao que devotam às suas vítimas.

Não vão.

Primeiro porque enquanto a explosiva combinação de miséria, desigualdade social, desestruturação familiar, abandono e ignorância, que engendra a criminalidade em escala nas grandes cidades brasileiras, não for erradicada a fábrica de bandidos estará despejando diariamente no mercado novos e mais abundantes modelos. É natural que “Veja”, no intuito de fortalecer sua posição de porta-voz dos que amealham fortunas produzindo e aprofundando essa situação, procure ocultar tal fato. Mas nem por isso ele deixa de ser óbvio.

Segundo porque há uma enorme diferença entre tratar o criminoso com a dureza correspondente ao seu grau de periculosidade e tratá-lo com perversidade. A perspectiva de um tratamento perverso, longe de intimidá-lo e dissuadi-lo, apenas o torna mais desesperado e brutal. E, o que é ainda mais grave, reduz a zero a autoridade moral de quem apela para os métodos de “conduta informal” – eufemismo empregado por “Veja”, conforme o padrão da CIA, para designar a tortura e execução de prisioneiros.

Que autoridade pode ter um torturador ou um policial que mata a sangue frio bandidos rendidos? Que diferença esse tipo de detrito humano acha que tem do homicida sádico? Como ele, também está agindo à margem da lei, com a diferença de que é pago para respeitá-la - condição primeira de quem tem como profissão fazer com que os outros a observem. Aliás, para conservar um mínimo de respeito às suas pessoas, essas almas penadas costumam ocultar as façanhas até dos vizinhos e mesmo dos próprios familiares.

Que sono tranqüilo poderia ter o nosso espectador se a autoridade que deveria protegê-lo baixasse ao nível dos monstros que o atormentam? De que serviria uma autoridade despida de legitimidade moral? Até na guerra, já dizia Bonaparte, os fatores morais estão para os materiais assim como três está para um.

“Tropa de Elite” é contido em relação aos modelos americanos da estética da barbárie nos quais se inspirou. Produzidos aos borbotões por Hollywood, a partir da escalada no Vietnã, esses filmes tem o objetivo de levar o espectador a considerar natural que num conflito todo e qualquer meio seja empregado contra o inimigo. A idéia subjacente é a de que já que o adversário é invariavelmente um bárbaro que não se detém diante de nada o remédio é sermos mais bárbaros do que ele, do contrário a derrota será líquida e certa. O bom mocinho não é mais aquele que oferece ao bandido a chance de sacar primeiro. É o que o impede de fazê-lo atirando antes, de preferência pelas costas.

Em “Tropa de Elite” não há, como em “Direito de Matar-3”, a profusão de execuções - mais de uma centena - realizadas pelo “justiceiro” que diante da inércia policial resolve limpar o bairro. Há apenas duas. Numa, porém, o traficante, já ferido, rendido e sabendo que iria ser morto, pede que não lhe atirem na cara, “para não estragar o velório”. O vice-mocinho, num plano bem marcado, troca então sua arma por uma calibre 12 e dispara – adivinhem aonde. Uma edificante execução, para americano nenhum botar defeito.

Torturas também não há muitas, mas é sintomático que os heróis do Bope – Batalhão de Operações Especiais da Polícia Militar - considerem válido empregar a asfixia por saco plástico não só contra traficantes, mas também contra mulher de traficante, para que esta delate o seu esconderijo. A extensão do tratamento perverso a inocentes, honra seja feita, não é advogada em quaisquer casos, somente naqueles em que a recusa a colaborar com as diligências torne isso inevitável. Quanta magnanimidade!

Tudo se explica, segundo o filme, porque na Polícia Militar só há duas alternativas: “tornar-se corrupto ou assumir a guerra”. E guerra para eles é assim que se trava.

Um ex-capitão do Bope, que participou da confecção do roteiro de “Tropa de Elite”, disse que por se tratar de uma obra de ficção houve exageros e na realidade as coisas não se passam exatamente do jeito que foram apresentadas.

Esperamos que sim e que o macabro símbolo do batalhão - real e não imaginário, a caveira com as pistolas substituindo as tíbias e o punhal atravessado - não passe de uma bazófia de mau gosto.

O fato é que quando a autoridade policial acha bonito apresentar-se diante da sociedade com um símbolo que tomou emprestado aos bandidos ela corre o risco de confundir-se com eles e pode, mais dia menos dia, se ver na desagradável contingência de ter que acertar contas com a lei.

E nessa hora, podem estar certos: “Veja” e outros que açularam seus baixos instintos não vão aparecer em sua defesa. Que o digam os azes da Scuderie Le Coq.

Che: O despertar da Revolução

Che buscou transformar a sociedade e construir o novo homem

“Através desta homenagem ao Che estamos fazendo uma homenagem aquilo que ele mais representou, ou seja, ao ser humano, à  condição humana”, afirmou Cláudio Campos para o público que lotou completamente o teatro TAIB em São Paulo

Publicamos a seguir, pela sua atualidade, os trechos da palestra de Cláudio Campos, denominada “Che: O despertar da Revolução”. A palestra foi realizada no dia 8 de outubro de 1984, no Teatro TAIB, em São Paulo e se constituiu numa das principais homenagens realizadas em nosso país ao grande líder revolucionário da América Latina e dos povos no mundo inteiro.

O TAIB lotou para ouvir Cláudio Campos. Presentes dezenas de lideranças políticas e sindicais, parlamentares, intelectuais e estudantes. Secretários de Estado, deputados e senadores parabenizaram o Movimento Revolucionário 8 de Outubro – MR8 pela palestra e pela realização da homenagem.

O rico debate que se seguiu à exposição, revelou o profundo anseio do nosso povo em discutir e esclarecer todos os aspectos que dizem respeito aos caminhos da libertação política, social e econômica da nossa América Latina.

“No mundo inteiro, a figura do Che Guevara recebe o carinho de milhões de pessoas. Por que será que isso ocorre? Qual o significado da luta do Che Guevara?

Che iniciou sua luta revolucionária no período em que as oligarquias, diante do crescimento do movimento democrático, popular e nacional, pela ruptura da dependência ao imperialismo e pela libertação das forças produtivas latino-americanas, não viram outra solução senão instaurar as mais sanguinárias ditaduras por toda a parte de nosso continente. Primeiro, lutou na Guatemala, em 1954, quando foi derrubado o governo Jacobo Arbenz; posteriormente, se uniu no México à luta dos revolucionários cubanos contra a tirania de Batista. Naquele momento, ele sentiu que frente às ditaduras, que não conhecem outro argumento que não a força, o povo só poderia enfrentá-las através da resistência armada. Conclusão a que, muitos outros povos no mundo em diferentes épocas, foram obrigados também a chegar. Tal como os povos norte-americano, inglês, soviético, francês perceberam que para fazer frente à ferocidade do nazi-fascismo era necessário empunhar armas para derrotar as bestas-feras que procuravam impor a ditadura a toda a Humanidade. Será que o Che estava errado? Será que seria possível derrotar o fascismo e levar o povo à vitória sem que se empreendesse a resistência armada contra as ditaduras, contra o entreguismo, contra a corrupção desenfreada existente em nosso continente? A nós parece que não. Foi exatamente essa luta que derrotou as ditaduras de Batista, Somoza e hoje força o imperialismo a fazer mais e mais concessões em El Salvador.

Aqui no Brasil, depois de 1964 se instaurou um regime igualmente ditatorial. Em 1969, fechava-se o Congresso Nacional, impedia-se a posse do Vice-presidente de então, colocava-se no lugar uma Junta Militar inteiramente arbitrária que passava por cima de qualquer direito do nosso povo. Então também aqui foi necessário resistir à força do arbítrio, à força da política antipatriótica com a energia e o vigor correspondentes ao vigor espúrio que se voltava contra o povo.

O papel revolucionário dos patriotas da América Latina que, nas décadas de 50 e 60, se viram forçados a pegar em armas para enfrentar o fascismo e a corrupção, para lutar pela democracia e pela soberania nacional é uma luta com as mesmas características da luta de Tiradentes, Anita Garibaldi, Maria Quitéria, Sandino, Farabundo Martí, Bolívar e tantos outros que não tiveram alternativa para deixar claro que nossos povos não aceitam a prepotência, a arrogância e a submissão aos interesses antinacionais. Que nossos povos exigem ser livres, independentes e governados democraticamente e não apenas exigem, mas lutam por isso e não se submeterão a qualquer violência que procure subtrair nossos direitos à democracia e à liberdade.

Aquela resistência, naquele momento, foi indispensável para que se abrisse espaço para a mobilização pacífica do nosso povo. A firmeza e o compromisso com o povo revelados por Che e tantos outros revolucionários são umas das razões pelas quais os povos latino-americanos dedicam tão grande carinho pelo Che e seus companheiros, porque os povos mais do que ter consciência, mais do que ler nos livros, eles sentem que aquela luta só era possível de ser desempenhada, muitas vezes sem a menor chance de vitória imediata, por aqueles que fossem efetivamente comprometidos com os povos de nosso continente e com toda a Humanidade.

Mas há mais: aquele foi um momento de virada da luta de libertação da América Latina. Ao longo deste século muitas lutas foram travadas, mas faltava ainda amadurecimento, segurança e clareza. Muitas vezes, homens de valor tentaram aprender com a experiência de povos como a União Soviética e outros povos para tentar encontrar soluções para os problemas da América Latina. Mas não é possível transpor uma realidade externa para a nossa. Cada nação e cada época histórica é uma realidade diferente da outra. E então, essa tentativa conduzia freqüentemente a posturas livrescas, sectárias e até dogmáticas, independente da vontade, que era a melhor possível, dos que seguiam esse caminho. Mas não havia outro caminho.

Era preciso se comprometer com o povo, identificar os problemas centrais que impedem o nosso desenvolvimento e aprender com a experiência de outros povos; esse era o percurso a ser transitado até que o povo latino-americano ganhasse uma consciência clara sobre sua realidade, seus problemas e seus caminhos”.

SEM PERDER A TERNURA JAMAIS

“Foi no momento em que as forças do atraso intensificaram a resistência que se colocou a necessidade para os povos latino-americanos de dar um salto de qualidade político e ideológico, de superar as teses livrescas e a confusão imobilista. Para sentir qual era o problema central era preciso ir a luta. Nesse momento, irrompeu na América Latina um revolucionário novo, que era capaz não apenas de repetir, mas que integrava a sua consciência política e a sua teoria revolucionária com o seu sentimento humano e a sua forma de agir. A personalidade revolucionária se integrou de maneira muito mais profunda.

Todos nós sabemos da preocupação do Che não apenas em transformar a sociedade, mas também em construir o novo homem, mais integrado e mais comprometido com os seus semelhantes. Foi esse salto de qualidade que permitiu aos revolucionários entender que ali não adiantava falar frases progressistas e revolucionárias e se paralisar de forma comodista diante da barbárie, da opressão e da truculência.

Nós temos certeza que a Humanidade não vai viver eternamente sendo massacrada nas guerras, sendo dividida como se encontra hoje. O que precisa prevalecer e vai prevalecer, quando se derrotarem interesses de classe minoritários e opressores, é a capacidade dos seres humanos se harmonizarem e resolverem juntos os problemas que temos pela frente. Isso tem que ser motivado pelo conhecimento científico de onde estão as principais contradições. Mas o que o Che demonstrou, e a Humanidade reconhece no afeto que tem pela sua pessoa, é que o fundamental é o compromisso com o ser humano, é o respeito e amor pela condição humana. Che deixou clara a necessidade que todos não sejam mais divididos pela sociedade de classes e se unam numa sociedade solidária. E isso só se consegue quando se usa as teorias e os livros para fortalecer o sentimento. Se se negar os sentimentos e os sentidos, não vai se poder desenvolver teoria e ciência nenhuma.

É esse sentimento de compromisso com o ser humano que permite a vitória e permite ir ao fundo das coisas. Será que o Che, capaz que foi de inauditos sacrifícios, foi um homem triste e esmagado por eles? É evidente que não, porque ele desenvolveu a capacidade de se identificar com seu semelhante. Existe uma frase que o Che disse e que até bem pouco tempo, era mostrada timidamente. Hoje, pelo menos no Brasil, a figura do Che está indelevelmente ligada ao ponto de vista de que não se pode perder a ternura jamais”..

Extraído do Jornal Hora do Povo, Edição de 07 de Outubro de 2005

Canção do Tamoio - Gonçalves Dias

(Natalí­cia)

I

Não chores, meu filho;
Não chores, que a vida
É luta renhida:
Viver é lutar.
A vida é combate,
Que os fracos abate,
Que os fortes, os bravos
Só pode exaltar.

II

Um dia vivemos!
O homem que é forte
Não teme da morte;
Só teme fugir;
No arco que entesa
Tem certa uma presa,
Quer seja tapuia,
Condor ou tapir.

III

O forte, o cobarde
Seus feitos inveja
De o ver na peleja
Garboso e feroz;
E os tímidos velhos
Nos graves concelhos,
Curvadas as frontes,
Escutam-lhe a voz!

IV

Domina, se vive;
Se morre, descansa
Dos seus na lembrança,
Na voz do porvir.
Não cures da vida!
Sê bravo, sê forte!
Não fujas da morte,
Que a morte há de vir!

V

E pois que és meu filho,
Meus brios reveste;
Tamoio nasceste,
Valente serás.
Sê duro guerreiro,
Robusto, fragueiro,
Brasão dos tamoios
Na guerra e na paz.

VI

Teu grito de guerra
Retumbe aos ouvidos
D’imigos transidos
Por vil comoção;
E tremam d’ouvi-lo
Pior que o sibilo
Das setas ligeiras,
Pior que o trovão.

VII

E a mão nessas tabas,
Querendo calados
Os filhos criados
Na lei do terror;
Teu nome lhes diga,
Que a gente inimiga
Talvez não escute
Sem pranto, sem dor!

VIII

Porém se a fortuna,
Traindo teus passos,
Te arroja nos laços
Do inimigo falaz!
Na última hora
Teus feitos memora,
Tranqüilo nos gestos,
Impávido, audaz.

IX

E cai como o tronco
Do raio tocado,
Partido, rojado
Por larga extensão;
Assim morre o forte!
No passo da morte
Triunfa, conquista
Mais alto brasão.

X

As armas ensaia,
Penetra na vida:
Pesada ou querida,
Viver é lutar.
Se o duro combate
Os fracos abate,
Aos fortes, aos bravos,
Só pode exaltar.

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